terça-feira, 7 de julho de 2009

MPB? Popular ou Elitista?


Sabe-se que a MPB surgiu da mistura de vários estilos, e que para cada década, cada geração tem sua visão do que se pode considerar popular. Advindo de várias misturas étnicas nosso país de cultura vasta e diferentes estilos musicais só poderiam acabar por enveredando pela busca insaciável de alguns músicos a buscar um estilo propriamente nacional. O que devido à diversidade fica praticamente impossível de se fazer com bom gosto e precisão. Fazendo um retrocesso histórico podemos dizer que quando a turma de classe média alta do Rio de Janeiro começou a se reunir e fazer musica no estilo Bossa Nova, parecia até contraditório chamar o estilo de popular.
Mas, da bossa ao tropicalismo, do samba ao rock, não importa o estilo, as influências, as classes sociais, a música popular brasileira é algo muito mais complexo do que se possa conceituar.
Já adolescente o jornalista e músico Arthur de Faria, ouvia músicas com seu avô, com interesse especial por música popular dos anos 30 e 40. Segundo Arthur a música popular brasileira dentro do contexto de que ela sempre teve, é sim elitista se considerarmos que em sua grande maioria o público ouvinte é de classe média alta. Por ser uma música mais sofisticada em termos harmônicos é por definição sim música das elites, o que não impede de ser popular. Arthur diz ainda: "tem uma coisa que é uma ilusão a cada geração. Que a música de sua época é uma porcaria, que só toca porcaria, isso não é verdade..."
Além disso, é preciso considerar que o que pouca gente sabe é que o estilo MPB veio mesmo do grupo MPB – 4 que tinha em seus ritmos influências de nomes como Dorival Caymmi, Zé Kéti, Carlos Vereza, Pixinguinha, Gonzaguinha entre outros nomes da música.
Na opinião da estudante de jornalismo Roberta Padilha é difícil especificar um gênero dentro de um gênero que por essência já é uma mistura. Roberta comenta ainda acreditar que para cada pessoa o popular, ou a música popular é diferente. “O popular para o gaúcho é diferente do conceito popular do nordestino e vice-versa, ainda que se tente rotular”
Em meio as discussões realmente acaba se tornando difícil classificar até para os estudiosos no assunto, mas no fim o que vale é a vastidão de gêneros onde podemos nos deliciar e chamar de nossa música popular brasileira, sem as amarras de quem está preocupado com jogos de classe.
Vinícius de Moraes, Tom Jobim, Elis Regina, Pixinguinha, Caetano Veloso, Djavan, Rita Lee, Nando Reis, Marisa Monte, Renato Russo... Pessoas que unem estilos, ritmos, timbres, diferentes gêneros sem deixar de ser popular, músicos, brasileiros... E pra você, o que é MPB?



Por Thaís Araújo

domingo, 5 de julho de 2009

O centenário da pequena notável

Por Cláudia Lorscheitter

Há pouco mais de 100 anos, em 9 de fevereiro de 1909, nascia na Freguesia de Várzea da Ovelha, no Distrito do Porto, em Portugal, Maria do Carmo Miranda da Cunha, mais conhecida como Carmem Miranda.
Carmem Miranda chegou pela primeira vez ao Brasil em 17 de dezembro de 1909 ao lado da mãe, Maria Emilia Miranda da Cunha (10-3-1886 / 9-11-1971). O destino era o Rio de Janeiro, onde o pai, José Maria Pinto da Cunha (17-2-1887 / 21-6-1938), havia montado um salão de barbeiro, localizado na Rua da Misericórdia, nº 70.
Os anos passaram, e a família Miranda da Cunha enfrentou algumas dificuldades financeiras, principalmente pelos problemas de saúde de Olinda, irmã mais velha de Carmem. Para ajudar a pagar o tratamento dos problemas pulmonares da irmã em Portugal, Carmem Miranda abandonou a escola e começou a ajudar a mãe nas atividades da pensão que atendia aos comerciantes locais. Olinda morreu jovem, aos 23 anos, mas conseguiu acompanhar o início do grande sucesso da irmã.
Em 1929, Carmen cantou pela primeira vez em um festival. Desde lá, a artista despertou a atenção. O compositor baiano, Josué de Barros, assistiu a apresentação e se interessou pela carreira da jovem. Barros ajudou Carmem Miranda a mostrar seu trabalho às estações de rádio, clubes e gravadoras do Rio de Janeiro. Desde então nada segurou a carreira brilhante traçada por um dos ícones da Música Popular Brasileira. Carmem encantou multidões por onde passou.
Conforme a biografia da cantora escrita pela jornalista Tatiana Rocha, publicada no site
www.mpbnet.com.br/musicos/carmen.miranda, a cantora era uma mulher de estatura baixa, por volta de 1m53. Por isso, gostava de usar calçados de saltos altos. Pela imagem da mulher miúda de salto, o radialista César Ladeira a batizou, carinhosamente, de “ A pequena notável”.
Carmem Miranda morreu aos 46 anos, em Beverly Hills, devido a um colapso cardíaco. O sepultamento de Carmen Miranda no Cemitério de São João Batista, no Rio de Janeiro, em 13 de agosto de 1955, oito dias após sua morte, reuniu uma multidão de meio milhão de pessoas. Mesmo sem se apresentar no Brasil há 15 anos, a morte da artista deixou o país em luto e em profunda comoção popular. Foram rezadas dezenas de missas em lembrança a cantora.
No livro “Carmem”, escrito por Ruy Castro e editado pela Cia. Da Letras, o autor revela diversas passagens importantes da vida da cantora e ao mesmo tempo desconhecidas. "Carmem era independente, falava palavrão e todo mundo sabia que tinha vida sexual com o namorado, mas ninguém lhe faltava com o respeito", explica Castro.
A obra, escrita após três anos de pesquisa, exibe algumas curiosidades em relação à Carmem Miranda. Uma delas era a mania de Carmem, ainda quando criança, de limpar o dedo de batom nas paredes de casa, em São Cristóvão, no Rio.
Mas, não foi apenas através da música e da voz inconfundível que Carmem Miranda tornou-se uma figura inconfundível. Os vestidos, os adereços, os famosos balangandãs da pequena notável fizeram com que a artista se tornasse um marco na moda nacional. Estilistas como Jacqueline de Biase, Marco Maia e Luciano Canale são alguns dos que homenagearam o estilo único de Carmem Miranda através de suas criações.
Para os fãs que quiserem saber mais sobre a cantora o site apresenta a biografia, discografia, filmografia além de outros materiais referentes a vida e carreira de Carmem Miranda.
Fontes: Site oficial Carmem Miranda; livro Carmem de Ruy Castro e site mpbnet.